A obesidade infantil deixou de ser apenas uma preocupação crescente para se tornar um dos principais desafios de saúde pública no mundo.
Segundo dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026, a obesidade infantil vem ultrapassando o baixo peso em diversas regiões, marcando uma mudança importante no perfil global da má nutrição. Estima-se que cerca de 1 em cada 10 crianças e adolescentes já viva com obesidade.
Enquanto a desnutrição vem diminuindo ao longo das últimas décadas, o excesso de peso cresce rapidamente entre jovens de 5 a 19 anos. Nesse grupo etário, a prevalência de desnutrição caiu de 13% para 9,2% entre 2000 e 2025, enquanto a obesidade aumentou de 3% para 9,4% no mesmo período.
Essa transformação no perfil epidemiológico impacta diretamente toda a cadeia de atenção à saúde, incluindo os laboratórios de análises clínicas.
A mudança no perfil das doenças
Mudanças no estilo de vida, sedentarismo e maior consumo de alimentos ultraprocessados contribuíram para um aumento acelerado do excesso de peso entre crianças e adolescentes.
Esse fenômeno, conhecido como transição nutricional, faz com que doenças metabólicas apareçam cada vez mais cedo.
Entre as condições associadas à obesidade infantil estão:
- resistência à insulina
- diabetes tipo 2 precoce
- dislipidemias
- doença hepática associada ao metabolismo
Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026 indicam que milhões de crianças já apresentam sinais metabólicos precoces relacionados ao excesso de peso. Estima-se que cerca de 98 milhões tenham sinais de doença hepática metabólica, enquanto 47 milhões apresentam triglicerídeos elevados e 14 milhões já apresentam alterações glicêmicas relacionadas ao risco de diabetes.
O papel estratégico dos exames laboratoriais
Na avaliação metabólica de crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesidade, diversos exames laboratoriais ajudam a identificar alterações precoces.
Entre os mais utilizados estão:
- glicemia em jejum
- hemoglobina glicada
- perfil lipídico
Esses exames permitem identificar alterações metabólicas antes do surgimento de doenças crônicas, reforçando o papel do laboratório no diagnóstico e acompanhamento preventivo da saúde.
Para os laboratórios, esse cenário também representa um aumento potencial na demanda por exames relacionados ao metabolismo.
Check-ups metabólicos e prevenção
Com o aumento dessas condições, cresce o interesse por check-ups metabólicos estruturados, que combinam exames para avaliar metabolismo da glicose, perfil lipídico e função hepática.
Esses painéis ajudam médicos e pacientes a acompanhar fatores de risco ao longo do tempo e reforçam o papel do laboratório no monitoramento preventivo da saúde.
No entanto, definir quais exames devem compor esses check-ups nem sempre é simples, já que cada paciente possui características clínicas diferentes.
O desafio da personalização no laboratório
Laboratórios lidam diariamente com pacientes de diferentes perfis clínicos.
Fatores como:
- idade
- histórico familiar
- exames anteriores
podem influenciar na escolha dos exames mais adequados para cada situação.
Nesse contexto, cresce o uso de tecnologias de análise de dados e inteligência artificial para apoiar uma abordagem mais personalizada na medicina diagnóstica.
Onde entra o VendAi
Soluções baseadas em inteligência artificial começam a apoiar os laboratórios nesse processo.
O VendAi, módulo do sistema Unilab, utiliza inteligência artificial para analisar o perfil do paciente e sugerir exames complementares ou check-ups que podem ser relevantes para aquele contexto.
Essas sugestões não substituem a avaliação clínica, mas funcionam como um apoio ao acompanhamento médico e à organização da oferta de exames, ajudando o laboratório a identificar oportunidades de monitoramento da saúde metabólica.
Na prática, o laboratório passa a oferecer uma abordagem mais personalizada ao paciente, enquanto o médico continua responsável pela avaliação clínica e interpretação dos resultados.
Conclusão
O crescimento da obesidade infantil representa um alerta importante para todo o sistema de saúde.
Para os laboratórios de análises clínicas, essa mudança reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento metabólico ao longo da vida.
Ao mesmo tempo, abre espaço para novas abordagens baseadas em dados, tecnologia e personalização de exames, permitindo que os laboratórios ampliem seu papel na prevenção e no monitoramento da saúde da população.
A integração entre dados laboratoriais, inteligência artificial e acompanhamento médico pode ajudar a tornar o cuidado mais preventivo, eficiente e orientado por informação.







