O Janeiro Branco é um convite à reflexão sobre saúde mental e bem-estar emocional, inclusive no ambiente corporativo. Mas essa reflexão precisa ir além do discurso e olhar com atenção para erros de gestão que impactam a saúde mental na empresa, muitas vezes de forma silenciosa e contínua.
Cobranças mal direcionadas, falhas de comunicação e comportamentos abusivos normalizados desgastam equipes, aumentam conflitos e comprometem resultados individuais e coletivos. E ainda geram impacto financeiro quando há afastamentos do trabalho por transtornos mentais: em 2024, foram quase meio milhão, segundo o Ministério da Previdência Social.
Esse cenário pode mudar a partir de uma gestão mais consciente, leve e estruturada.
Por que a saúde mental na empresa começa pela gestão?
Cuidar da saúde mental na empresa não significa “afrouxar” a gestão, mas, sim, torná-la mais clara, justa e humana. Afinal, como líderes se comunicam e se relacionam com as equipes influencia diretamente o clima organizacional, podendo gerar insegurança, estresse, ansiedade e aumento de absenteísmo, presenteísmo (quando o funcionário está no trabalho, mas não produz) e turnover (rotatividade).
Entender as causas desses efeitos é fundamental para evitá-los. Por exemplo, um estudo publicado em um periódico da Fiocruz revelou que, entre 2019 e 2020, em São Paulo, os principais causadores de adoecimento mental no trabalho foram:
- Cobrança excessiva de metas;
- Resultados e sobrecarga de trabalho;
- Assédio moral.
Mas os problemas não param por aí.
Erros de gestão que prejudicam a saúde mental na empresa
Embora o estudo tenha destacado três cenários organizacionais que impactam o bem-estar emocional no trabalho, esses não são os únicos a que a gestão deve ficar atenta. Descubra outros pontos centrais a seguir.
1. Cobrança sem critério e sem clareza
Cobrar resultados sem metas bem definidas, indicadores claros ou alinhamento prévio gera frustração e sensação constante de insuficiência. Além disso, quando tudo é urgente e nada é priorizado, o colaborador vive em estado de alerta permanente, agravando a ansiedade.
Uma gestão saudável estabelece expectativas realistas, acompanha processos e cobra com base em dados e motivos claros, não em pressão emocional.
2. Normalizar comportamentos abusivos
Gritos, ironias, humilhações públicas, ameaças veladas e desvalorização do esforço são comportamentos abusivos, ainda que muitas vezes mascarados como “perfil exigente” ou “pulso firme”.
Esse tipo de postura compromete seriamente a saúde mental na empresa, pois aumenta o medo de errar e reduz a confiança necessária entre equipes e liderança.
3. Falta de cuidado na forma de falar
Não é apenas o que se cobra, mas como se cobra. Comunicação agressiva, ríspida ou desrespeitosa gera atrito, defensividade e desgaste emocional. Para obter uma gestão mais leve, o caminho é manter um diálogo claro, respeitoso e direto, mesmo em situações de correção ou cobrança.
4. Ausência de feedback estruturado
Quando o colaborador só recebe retorno quando algo dá errado, a relação se torna baseada em tensão, insegurança e sensação de invisibilidade. Mas quando esse momento é regular, equilibrado e objetivo, é possível alinhar expectativas, melhorar a satisfação e o desempenho geral e fortalecer a saúde mental na empresa.
5. Ignorar conflitos e atritos entre pessoas
Conflitos mal resolvidos contaminam o ambiente corporativo e impactam toda a equipe, aumentando o desgaste emocional e comprometendo a colaboração. Reduzir atritos exige mediação, escuta ativa e clareza de papéis e responsabilidades.
5 dicas para implementar uma gestão mais leve e saudável
Considerando os erros mais comuns na gestão do laboratório, que tal saber como evitá-los? A seguir, confira nossas dicas.
1. Estabeleça rotinas de reunião com propósito
Reuniões rotineiras e objetivas ajudam a alinhar expectativas, prioridades e responsabilidades. Quando bem conduzidas, reduzem ruídos, retrabalho e cobranças desnecessárias.
2. Crie uma cultura de feedback contínuo
Feedback não deve ser um evento raro ou punitivo. Ele precisa fazer parte da rotina, com foco em desenvolvimento, orientação e reconhecimento. Essa prática fortalece relações e contribui diretamente para a saúde mental na empresa.
3. Aplique pesquisas de clima organizacional
Pesquisas de clima ajudam a identificar pontos de tensão, falhas de comunicação e riscos emocionais antes que se tornem problemas maiores e até levem ao afastamento. Mas atenção: além de aplicar, é fundamental agir considerando os resultados para evitar ainda mais frustração.
4. Invista na redução de atritos e na melhoria das relações
Treinamentos de liderança, comunicação e gestão de conflitos ajudam a criar ambientes mais colaborativos e relações mais saudáveis, reduzindo estresse, ruídos e desgastes emocionais.
5. Integre saúde mental às práticas de gestão
A saúde mental na empresa precisa estar conectada às decisões do dia a dia, como metas, prazos, carga de trabalho e comunicação interna. Quando esse cuidado é integrado à gestão, deixa de ser campanha e se torna parte da cultura organizacional.
Janeiro Branco como ponto de virada na gestão
Cuidar da saúde mental na empresa exige mais do que ações simbólicas. Requer coragem para revisar práticas, reconhecer e corrigir erros, ajustar a comunicação e implementar uma gestão mais leve, justa e estruturada.
Empresas que fortalecem uma liderança mais consciente criam ambientes mais saudáveis, produtivos e sustentáveis. O resultado é benéfico para todos: as pessoas conseguem trabalhar melhor e viver com mais equilíbrio, enquanto a empresa alcança melhores resultados.







